Existem coisas pelas quais não se passa impune.
Marx me estragou muita ignorância feliz apontando o dedo para Chaplin que deslizava por engrenagens dentadas.
Mauss me fez desentender: não é todo mundo que dorme deitado como eu sonhava.
Bourdieu deslindou uma fraqueza na minha pequenice burguesa:
Era por isso que eu sempre sentia incômodo ao dividir meu lanche no recreio.
Sahlins pele-vermelha chamou Marx para uma conversa outra.
Os dois tropeçaram num degrau e caíram.
Pude escutar de orelhada.
Levi-Strauss me esparramou em mapas de mil legendas e escalas.
E o Eduardo é bom mas tão arrogante pessoalmente…
A “teoria” é só um nome pomposo demais para uma coisa cuja exata etimologia seria “troço bonito”.
A “teoria” é um monte de histórias compridas.
Cada uma cheia de versões e personagens paralelas, muitas vezes mal contada.
Arena com canteiros jardinados.
A gente sempre pega a história no meio.
“Teoria” é sempre feita meio assim de entremeio.
Por isso ela se plasma com a vida:
Repositório de espantos que nos rodeia de ultrapassagem
E nos estofa de pleno.
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